sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Futebol: paixão e lucro


Quem acompanha futebol, seja pela TV ou pelo Rádio, já percebeu que as transmissões esportivas já não são mais estreladas somente pela bola, os onze jogadores e a torcida. O “espetáculo esportivo” mais assistido pelos brasileiros tem sido invadido pela publicidade, que vê na bola rolando nos campos mais que paixão e esporte, lucro.
No início das transmissões esportivas, tanto no rádio quanto na TV, a infra-estrutura era precária e as transmissoras encontraram na publicidade uma forma de se manterem. Até aí, justificável a inserção da publicidade nas transmissões. Mas a partir de então, e justamente por causa do futebol, as empresas cresceram e se enriqueceram muito. O certo seria que a publicidade não ocupasse tanto espaço em meio ao espetáculo futebolístico, porém isso não ocorre. As transmissoras viram que, o acordo entre elas e a publicidade, só rende lucros para ambas, então “em time que está ganhando não se mexe”.
Os narradores, inicialmente jornalistas, têm se confundido com publicitários. As mesas redondas, criadas no rádio, mas hoje características da TV, guardam esse aspecto, onde os “comandantes” das mesas são os publicitários, os “garotos-propaganda”. Em um cenário onde deveria prevalecer a informação, onde o narrador, o comentarista, deveria formar opinião, transforma o torcedor em consumidor, de produtos nem sempre ligados ao futebol. O torcedor liga a TV pra saber um pouco mais sobre o seu time, sobre a rodada do campeonato e lhe é servido algumas opiniões mescladas por anúncios de esponjas de aço, refrigerantes e máquinas fotográficas.
E não é apenas o torcedor da TV e do rádio que vê seus “ídolos” e a bola dividirem espaço com os comerciais, nos estádios também é possível perceber a invasão do marketing. As placas ao redor do campo, anunciando que a próxima novela das oito estréia na segunda-feira, não acrescenta pontos ao time que luta pelo título.
A publicidade e as grandes empresas que patrocinam os clubes têm exercido um papel tão forte no cenário futebolístico, que tem torcedor que não consome determinado produto porque ele vem estampado na camisa do arqui-rival. È a publicidade e o nome das empresas que patrocinam os times mais forte que o nome do clube, usando a paixão do brasileiro pelo futebol como “caça-níquel”. Algumas empresas se tornam importantes para alguns times, temos a Unimed, que vem patrocinando o Fluminense desde a sua “visita” à terceira divisão do Campeonato Brasileiro, e o “levou” à final da Libertadores 2008. Sim, o investimento da empresa no Tricolor carioca influenciou, novas contratações e pagamentos em dia nas Laranjeiras.
Ilusão pensar que o “pacto” entre esporte e publicidade poderia ser menos intenso. O fato do “futebol como negócio” no Brasil já foi consumado, tem até “passe” de jogador sendo discutido no caderno de Economia. O espetáculo mais assistido de todos deixou de ser exclusivamente esportivo há tempos, mas não deixará de ser acompanhado por isso. O futebol é movido por dinheiro, claro, mas nunca deixará de ser pela paixão. Torcedor que é torcedor engole a publicidade com fome de que em seguida ele possa ouvir um lance incrível ou ver uma jogada sensacional. Enquanto isso ocorrer, enquanto a paixão pelo futebol ainda existir, a publicidade pode comemorar.
por Camila Carolina

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